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Walkíria Lima BrittoWalkíria Lima Britto

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Contar é muito dificultoso. Não pelos anos que já se passaram. Mas pela astúcia que tem certas coisas passadas de fazer balancê, de se remexerem dos lugares. A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos: uns com os outros acho que nem não misturam. Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo coisas de rasa importância. Assim é que eu acho, assim é que eu conto. O senhor foi bondoso de me ouvir. Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras de recente data. O senhor mesmo sabe; e se sabe, me entende. Toda saudade é uma espécie de velhice. João Guimarães. Grande invenção: Segredo. ************ Nasci numa cidadezinha do interior do Estado de São Paulo, Olímpia, arrodeada de fazendas de café, população de imigrantes italianos. Minha origem italiana (materna) e nordestina (paterna). Meu avô paterno chamado Abraham, migrou da Holanda para Recife ainda criança e fincou raízes em Aracaju. Mas essa é uma história que fica para depois ... Passo minha primeira infância até os 5-6 anos em Aracaju, devido a prisão de meu pai por sua luta sindical. Aos 6 anos retorno a Olímpia e se dá início a vida escolar na rede pública até a vida acadêmica. Meu pai retorna ao trabalho (bancário) e a luta pela fundação de sindicatos. Juventude feliz, a crença permanente na construção de um mundo mais humano, com participação em movimentos estudantis C.P.C (Centro Popular de Cultura), luta pelas Reformas de Base. Cursei Filosofia (USP) e mais tarde Pedagogia em São José do Rio Preto que na época era uma faculdade a frente do seu tempo, com grupo de professores jovens, atuantes e já o encantamento por Paulo Freire. No ano de 1963, já formada, mudo para Fernandópolis, população camponesa e partimos na luta pela criação de Sindicatos no Campo que até então não existiam e atuavam junto aos camponeses na luta pelo engajamento aos sindicatos. Fernandópolis foi um período de um ano de atuação política muito intensa. Os indícios de um possível golpe prenunciavam-se. Dia 03 de abril de 1964 minha casa é invadida e colocada a visitação pública. Desta data em diante foi um périplo de cidade em cidade. Depois de um ano retorno a Olímpia, e mais tarde para São Paulo (1968). Decretado o AI-5 em dezembro de 1968. Casamento já desfeito. Cenário político extremamente perigoso e cruel. Fui presa em junho de 1969. Foram 6 meses: DOPS, DOI CODI – Tiradentes, que reverberam como forma de luto. Em 1970, sou convidada a trabalhar no Scholem Aleichem como coordenadora pedagógica. Atuação junto a equipe aprofundando estudos na linha pedagogia literária, com excelentes professores. Estudávamos muito. Viramos referentes para outras escolas como EQUIPE. Na busca de novas experiências, criamos em 1974 | 1975 o Sagarana, que buscava as mesmas trilhas pedagógicas do Scholem. Valorização do trabalho do professor, engajamento dos alunos no universo contemporâneo. A caracterização pedagógica de Scholem fundava-se em alguns pontos primordiais: - Aprender a aprender; Respeito ao OUTRO; Valorização do conceito de liberdade, da arte “em si, para si”. O Scholem foi a viga mestra para o Sagarana. O currículo foi estruturado segundo Jerome Bruner “ O CURRÍCULO EM ESPIRAL”. Sagarana provocou a elaboração de teses sobre ensino do segundo grau. Após dez anos de existência, o Sagarana ficou na memória daqueles que passaram por lá. Fui e sou feliz no tempo que vivi e vivo, pois não vivo em “ TEMPOS MORTOS”. Walkyria Mortati de Britto Lima, Cidadão brasileira, três filhos; Adriana, Carlos Henrique e Ana Luísa, Companheiro: Adam Homonnay; Amor presente para sempre ... Um homem bom e basta, como já foi dito

Variações do nome:

Walkyria M. Britto Lima

Gênero:

Feminino

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